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Vale (VALE3) e elétrica ‘vaca leiteira’ são as ações para lucrar em maio; veja as favoritas de 18 analistas

08 maio 2026, 13:30 - atualizado em 08 maio 2026, 13:30
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Fachada de prédio da Axia Energia, antiga Eletrobras (Imagem: Divulgação)

Abril viu o Ibovespa encostar em uma marca histórica: os 200 mil pontos. Em poucos meses, o índice já havia superado as expectativas de bancos e corretoras para o ano.

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Mais uma vez, o grande motor desse rali foi o investidor estrangeiro. Mas o que sobe rápido também pode corrigir rápido. Em poucas semanas, o índice devolveu parte dos ganhos e voltou para a faixa dos 180 mil pontos, onde está atualmente. Sinal de alerta ou oportunidade?

Para os analistas, os estrangeiros aproveitaram a forte alta para realizar lucros. O resultado foi um índice mais relutante, com desempenho inferior ao de mercados desenvolvidos e de outros emergentes. No mês, o Ibovespa caiu 0,08%.

Na visão do BTG, uma leve deterioração do ambiente econômico e político ajuda a explicar a correção.

As expectativas de inflação subiram por conta da guerra, do mercado de trabalho ainda apertado e da atividade econômica resiliente, levando investidores a reduzirem as apostas em cortes de juros neste ano.

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Antes, o mercado projetava uma Selic terminal de 12%; agora, essa expectativa subiu para 13%. Ainda assim, o BTG segue vendo a taxa em 10,5% até 2027.

Mercado mais seletivo

Para a Ágora, depois de um excesso de otimismo — e até certa complacência — observado no início do ano, a dinâmica recente do Ibovespa mostra um arrefecimento do apetite por risco, especialmente entre investidores estrangeiros.

Isso, porém, não significa necessariamente uma reversão de tendência, mas sim um mercado mais seletivo, tático e dependente de catalisadores domésticos.

Na prática, os investidores globais podem apenas estar rodando a carteira em busca de outros setores.

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“O setor financeiro, por exemplo, foi alvo de saídas graduais de recursos, enquanto commodities e setores mais cíclicos e sensíveis a juros foram os ganhadores líquidos desses fluxos”.

O que esperar para maio?

Na visão da Ágora, maio costuma reunir três características principais:

  • ajustes de expectativas para o segundo semestre, com base nos resultados corporativos e no rumo da economia;
  • forte influência da temporada de balanços; e
  • maior impacto do fluxo estrangeiro, já que o mês frequentemente coincide com rebalanceamentos de índices globais, como o MSCI.

“Ainda vemos espaço para aumento marginal da alocação estrangeira, mas de forma mais criteriosa e focada em histórias individuais”.

Bolsa está barata ou cara?

Depois de subir mais de 14% no ano, o Ibovespa está longe de ser uma barganha, na visão da Ágora. Atualmente, o índice negocia próximo de 10 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, em linha com a média histórica dos últimos dez anos.

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Mesmo assim, a corretora segue otimista por um motivo simples: um eventual ciclo de corte de juros pode voltar a impulsionar a bolsa. Um novo boom de commodities e fatores sazonais — como as eleições de outubro — também seguem no radar.

Já para o BTG, a bolsa brasileira continua atrativa. Excluindo Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), o Ibovespa negocia a 10,4 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, praticamente estável em relação ao mês anterior e com desconto de 14% frente à média histórica.

Incluindo Petrobras e Vale, o múltiplo cai para 8,8 vezes o lucro projetado para 12 meses.

Para o investidor estrangeiro, que possui custo de capital mais baixo e precisa manter exposição em bolsa, o Brasil continua atraente. Já para o investidor local, a conta é mais difícil: com juros elevados, títulos públicos de longo prazo seguem oferecendo uma concorrência forte para as ações.

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O que comprar?

Pensando nisso, o Money Times reuniu carteiras recomendadas de bancos e corretoras para identificar as ações mais indicadas do mercado. Ao todo, foram consultadas 18 carteiras, somando 175 recomendações e 59 ações.

Participaram do levantamento: BB Investimentos, Empiricus Research, BTG Pactual, Safra, Ágora Investimentos, RB Investimentos, Itaú BBA, XP Investimentos, Terra Investimentos, Ativa Investimentos, Banco Daycoval, Rico Investimentos, Santander, Monte Bravo Investimentos, EQI Investimentos, Genial Investimentos e Andbank.

Veja abaixo:

EmpresaTickerNº de indicações
ValeVALE311
AxiaAXIA311
Itaú UnibancoITUB49
PetrobrasPETR49
LocalizaRENT38
EquatorialEQTL37
BradescoBBDC46
PrioPRIO35
SabespSBSP35
BTG PactualBPAC115
ItaúsaITSA45
Rede D’OrRDOR35
RD SaúdeRADL35
NubankROXO34 / NU4
EnevaENEV34
CopelCPLE34
EmbraerEMBR34

Vale: queda virou oportunidade?

A Vale dividiu a liderança das recomendações com a Axia mesmo após a correção vista em abril, em meio à realização de lucros e à maior volatilidade causada pela guerra.

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Segundo a XP, apesar dos preços de minério e metais seguirem em níveis saudáveis, o mercado ficou mais cauteloso diante de um valuation mais ajustado.

Para o Safra, além de funcionar como proteção e indexação de portfólio, a mineradora deve se beneficiar de um cenário mais favorável para produção e custos, além de um minério de ferro sustentado acima de US$ 100 por tonelada.

“Acreditamos que uma postura mais amigável ao acionista, via dividendos e recompra de ações, deve sustentar o papel, além de ser uma ação que tende a se beneficiar de uma retomada dos fluxos para emergentes”.

Axia, a “vaca leiteira” do setor elétrico

As ações da Axia acumulam forte alta em 2025, superando com folga o desempenho do Ibovespa.

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Mesmo assim, a Ágora acredita que ainda há espaço para valorização.

“A assimetria continua positiva para a tese de reprecificação dos custos de eletricidade de longo prazo aos quais a empresa está exposta”.

As projeções da corretora consideram preço de energia de longo prazo em R$ 230/MWh (líquido de impostos), ainda bem abaixo do custo marginal de expansão estimado pela casa, próximo de R$ 300/MWh.

“Essa tendência, combinada ao perfil pagador de dividendos e à elevada liquidez do papel, deve continuar atraindo investidores”.

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Petrobras ainda tem espaço?

Mesmo após renovar máximas recentes, a Petrobras (PETR4) continua oferecendo uma relação risco-retorno atrativa, na visão do BTG.

Os analistas destacam dois pontos principais:

  • a companhia é uma das poucas grandes petroleiras integradas de mercados emergentes, com produção de baixo custo no pré-sal; e
  • segue sendo uma das principais formas de exposição às eleições brasileiras via mercado acionário.

O BTG trabalha com Brent em US$ 82 por barril, preços de combustíveis estáveis e manutenção de subsídios ao diesel até o segundo trimestre de 2026.

Para os investidores focados em dividendos, a casa projeta yield de geração de caixa (FCFE) de 10,5% e dividend yield de 8,5% para 2026 — acima da média global do setor, entre 5% e 6%.

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Itaú segue como favorito entre os bancos

Para o Santander, o Itaú Unibanco (ITUB4) continua sendo o melhor banco da bolsa.

Recentemente, a instituição elevou o preço-alvo da ação para R$ 50 em 2026 e reiterou recomendação de compra.

A expectativa é de aceleração gradual da carteira de crédito, especialmente após a estabilização da inadimplência.

Os analistas também projetam crescimento de dois dígitos da margem financeira (NII).

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“Acreditamos também que um novo ciclo de crédito normalmente resulta em aumento das receitas com serviços bancários, o que pode representar risco positivo para nossas projeções”.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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