JHSF (JHSF3): Ações recuam 5% após balanço do 1T26; Bradesco BBI vê resultados ‘neutros’
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da JHSF Participações (JHSF3), holding voltada em negócios de luxo, reagem de forma negativa aos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), divulgados pelas companhia mais cedo.
Por volta das 15h20 (horário de Brasília), os papéis da empresa recuavam 5% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 11,51. Acompanhe o tempo real.
Balanço “neutro”
Entre janeiro e março, a JHSF registrou lucro líquido consolidado de R$ 371,6 milhões, um aumento de 9,3% em relação a igual período de 2025.
Já o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 250,6 milhões, crescimento anual de 27%.
A receita líquida consolidada, por sua vez, alcançou R$ 537,7 milhões, expansão de 33,3% frente aos R$ 403,3 milhões apurados um ano antes.
Apesar do avanço dos indicadores, o Bradesco BBI classificou o balanço como “neutro”, avaliando que os números refletiram a continuidade operacional sólida dos ativos recorrentes, mas também uma normalização após eventos extraordinários registrados meses atrás.
De acordo com o banco, a receita do grupo até cresceu em base anual, mas recuou frente ao quarto trimestre de 2025 (4T25), quando somou R$ 2 bilhões, devido à menor contribuição pontual das vendas de estoque reconhecidas anteriormente.
Além disso, a casa destacou que a companhia encerrou março com posição de caixa líquido de R$ 1,8 bilhão, abaixo dos R$ 2,3 bilhões no fim de 2025, impactada por investimentos em projetos, amortizações de dívida e pagamento de dividendos.
Ainda assim, o BBI pontuou que a holding manteve perfil saudável de alavancagem, com relação dívida líquida/Ebitda recorrente ajustado de -0,97 vez, prazo médio da dívida de 5,1 anos e custo médio de CDI +0,9%.
Desempenho por segmento
Atualmente, a JHSF atua nos segmentos de incorporação residencial, shopping centers, aeroporto executivo, hotéis, restaurantes, clubes, locação residencial e gestão de recursos, com foco no público de alta renda.
Nos shoppings, o BBI afirmou que o grupo mostrou, no 1T26, continuidade do bom momento operacional: as vendas avançaram 8,4% na comparação anual, enquanto a taxa de ocupação atingiu 98,8%.
Já a vertical do aeroporto Catarina, terminal de aviação executiva em São Roque (SP), seguiu com alta atividade, com alta de 18% nos movimentos de pousos e decolagens e avanço de 20% no volume abastecido.
Na divisão de hospitalidade, que reúne hotéis e restaurantes, o banco apontou resiliência operacional, com crescimento de tarifas e RevPAR, apesar da queda do Ebitda do segmento. O relatório também destacou o avanço dos projetos internacionais da companhia.
A frente de locação residencial e clubes apresentou expansão relevante no 1T26, enquanto a JHSF Capital, gestora financeira do grupo, acelerou o ritmo de crescimento e encerrou março com R$ 11,2 bilhões sob gestão.
Na vertical de desenvolvimento imobiliário, o BBI pontuou que a receita foi impulsionada pelo reconhecimento contábil da venda de estoque de R$ 5,2 bilhões realizada no final do ano passado, ainda com parcela relevante a reconhecer nos próximos períodos.
Cabe lembrar que, em dezembro, a companhia vendeu seu estoque de incorporação para um fundo imobiliário estruturado pela JHSF Capital.
“A evolução consistente dos segmentos de renda, especialmente shoppings, aeroporto e residencial, reforça a qualidade do portfólio e a previsibilidade de geração de caixa, enquanto o avanço da JHSF Capital e da expansão internacional adiciona opcionalidade de crescimento à empresa”, afirmou o BBI.
“Por outro lado, o consumo de caixa no trimestre e a queda sequencial dos resultados reforçam a importância da execução dos projetos em andamento e do reconhecimento futuro das receitas já contratadas”, ressaltou.
Em termos de valuation, o banco disse que a JHSF negocia a 1,1 vez o múltiplo P/VP, “nível que ainda reflete desconto relevante”, embora apresente menos catalisadores de curto prazo após os eventos recentes, o que sustenta a visão construtiva para o médio prazo.