PetroReconcavo (RECV3): 1T26 morno, mas dividendos e negociações fazem ação subir; o que fazer com as ações?
As ações da PetroReconcavo (RECV3) operavam em alta nesta sexta-feira (8), após a divulgação do balanço do primeiro trimestre de 2026, anúncio de dividendos e avanço nas negociações comerciais do Ativo Potiguar.
Por volta das 14h12, os papéis subiam 2,06%, negociados a R$ 12,37.
O mercado reagiu de forma relativamente positiva aos números da petroleira. Embora o trimestre ainda tenha mostrado pressão operacional, analistas enxergaram melhora na geração de caixa, disciplina de capital e avanços considerados importantes na estratégia comercial da companhia.
A PetroReconcavo registrou lucro líquido de R$ 123,797 milhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 46% em relação ao mesmo período do ano passado.
A receita líquida entre janeiro e março recuou 20%, para R$ 684,456 milhões, enquanto o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 27% na comparação anual, somando R$ 310,270 milhões.
Ainda assim, o Ebitda ajustado veio praticamente em linha com as estimativas do mercado e avançou 5% frente ao trimestre anterior.
O que agradou o mercado
Entre os principais pontos positivos do trimestre esteve a redução dos custos de midstream após a aquisição dos 50% restantes da UPGN Guamaré, movimento que ajudou a sustentar a rentabilidade operacional.
A geração de caixa também foi destaque. O BTG Pactual apontou que o fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE) somou R$ 65 milhões no trimestre, acima da projeção de R$ 40 milhões do banco.
A dívida líquida caiu para cerca de US$ 267 milhões, segundo a XP, enquanto a alavancagem recuou de 1,10 vez para 1,04 vez dívida líquida/Ebitda.
Outro fator que agradou analistas foi a renegociação dos contratos de venda de petróleo com a Brava Energia.
A PetroReconcavo anunciou aditivos temporários que reduziram em cerca de 40% o desconto fixo médio aplicado sobre o Brent nos contratos atuais.
Segundo o Itaú BBA, o desconto caiu de aproximadamente US$ 12 para US$ 7 por barril.
Além disso, a companhia assinou um acordo para negociar um contrato de longo prazo para o Ativo Potiguar, movimento visto como um importante passo de redução de risco da tese.
O que ainda incomodou
Apesar dos avanços, a produção menor e os custos mais altos seguiram pressionando os resultados.
A produção consolidada caiu para 24,4 mil barris de óleo equivalente por dia (kboed), recuo de cerca de 2,5% frente ao trimestre anterior. Segundo a XP, a queda foi puxada principalmente pelos ativos da Bahia, afetados por parada na UTG Catu e manutenção na Estação São Roque.
Com isso, o lifting cost (custo de extração por barril) consolidado subiu para US$ 15,8 por barril, ante US$ 14,3 no quarto trimestre de 2025.
Os contratos de hedge também limitaram os ganhos da alta do petróleo.
Mesmo com o Brent avançando 27% no trimestre, para US$ 81 por barril, o preço realizado da PetroReconcavo ficou em US$ 63,40 por barril, segundo a XP.
A diferença refletiu descontos maiores no mercado físico e impacto negativo dos contratos de hedge NDF, que consumiram R$ 35,2 milhões no trimestre.
PetroReconcavo anuncia JCP de R$ 100 milhões
Em paralelo ao resultado, a companhia anunciou a distribuição de R$ 100 milhões em juros sobre capital próprio (JCP), equivalentes a R$ 0,341252 por ação. O valor representa um dividend yield próximo de 2,8%, segundo cálculos do BBA.
Terão direito ao pagamento os acionistas posicionados em 18 de maio de 2026. As ações passam a ser negociadas “ex-proventos” a partir de 19 de maio, enquanto o pagamento ocorrerá em 28 de maio.
Segundo a companhia, os JCP serão imputados ao dividendo mínimo obrigatório de 2026.
Apesar da reação positiva do mercado nesta sexta-feira, os bancos seguem cautelosos com a tese no curto prazo.
O BTG manteve recomendação neutra para RECV3, afirmando que a história da companhia ainda depende de recuperação de produção no segundo semestre e melhora adicional na monetização do gás.
Já o Itaú BBA reiterou recomendação market perform, equivalente à neutra, embora veja potencial de valorização maior para as ações ao longo de 2026.